31 de mai de 2016

Estudo de Impacto Ambiental - Loteamento Reserva Dom Pedro

Apresento aqui os links para o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do Loteamento Reserva Dom Pedro elaborado em 2010 pela Consultoria Estudio Ambiental, de Campinas - São Paulo.


Sobre o empreendimento Loteamento Reserva Dom Pedro


Segundo o EIA:
"O presente documento faz parte do Processo SMA nº. 2975/2009 e apresenta o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) a ser submetido à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, junto ao Departamento de Avaliação de Impactos Ambientais (CETESB/DAIA), elaborados conforme as determinações da legislação pertinente, em especial as Resoluções CONAMA nº. 001/86 e 237/97, como parte do processo de licenciamento ambiental do empreendimento Plano Urbanístico Gleba A2, a ser implantado no município de Campinas, São Paulo". (ESTUDIO AMBIENTAL, 2010a, Vol. 1, Cap. 1, pág. 1)


Apresentação do loteamento Reserva Dom Pedro
Fonte: Revista do EIA-RIMA da Reserva Dom Pedro 

Trata-se de um empreendimento proposto pela construtora Rossi no Distrito de Barão Geraldo - Campinas, São Paulo. O nome do loteamento refere-se à Rodovia Dom Pedro e Parque Dom Pedro Shopping localizados próximos do terreno proposto para a sua construção.


Projeto urbanístico e Plano Local de Barão Geraldo
Fonte: Revista do EIA-RIMA da Reserva Dom Pedro 

Matriz de impactos ambientais
Fonte: Revista do EIA-RIMA da Reserva Dom Pedro 

Os três volumes, os anexos e mais as alterações realizadas no projeto podem ser acessadas nesta pasta do Google Drive (https://goo.gl/uPddwQ) que contém os arquivos que foram baixados do site do empreendimento http://www.reservadompedro.com.br/ em 13/04/2012.

Capa do Volume 1 do Estudo de Impacto Ambiental 
Fonte: EIA - Reserva Dom Pedro (https://goo.gl/uPddwQ)



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Um pouco sobre EIA/RIMA.

EIA e RIMA são dois documentos importantes para a obtenção de licenças de instalação e operação de empreendimentos junto aos governos.

A obrigatoriedade deste tipo de Estudo e a necessidade de sua publicidade veio com a Resolução nº 1/1986 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA, 1986) e foi reforçada com o artigo 225 (parágrafo 1º, inciso IV) da Constituição Federal (BRASIL, 1988) no qual aparece o termo Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EPIA).

Constituição Federal (BRASIL, 1988)
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. 
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: 
[...] 
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;
A seguir reproduzo trechos do excelente trabalho do Prof. Oswaldo Sevá Filho (2004) que explica de forma bastante didática e crítica o tema:

"Conforme nossas leis, deve ser feito para vários tipos de obra, instalação ou empreendimento, um estudo de sua “potencial degradação significativa”. Denominado EPIA - Estudo Prévio de Impacto Ambiental, na prática dos empresários que solicitam as licenças, e dos governos que as concedem, o EPIA foi erradamente abreviado para EIA - Estudo de Impacto Ambiental, e confundido com RIMA - Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente." (SEVÁ FILHO, 2004, p. 3) 
"Licenciamento ambiental se tornou em pouco mais de uma década, algo que em cada lugar se faz de um jeito, e pairam dúvidas sobre o quê de fato representa hoje obter ou não tal e qual licença. Nestes últimos quinze anos, veio sendo desfigurado o ato administrativo, e adulterado o ritual de tantos licenciamentos, especialmente dos projetos de maior porte." (SEVÁ FILHO, 2004, p. 3)
"A criação pelo Executivo Federal, de um Conselho (interministerial) Nacional de Meio Ambiente, e a sua primeira resolução, a famosa Conama 1 / 1986 (que é considerada por alguns como o ato de criação da exigência do EIA como instrumento do licenciamento), são eventos que podem significar a entronização da pressão dos financiadores, que estavam exigindo que o governo brasileiro adotasse algo que pudesse ser chamado de Política Ambiental. Além dos então pioneiros movimentos ambientalistas, pouco conhecidos, o fato notável é que os bancos e as seguradoras exigiam que fossem feitos e avaliados os estudos ambientais prévios dos grandes projetos de investimento, principalmente no caso das hidrelétricas." (SEVÁ FILHO, 2004, p. 4)

Referências

BASSO, L.; VERDUM, R. Avaliação de Impacto Ambiental: EIA e RIMA como instrumentos técnicos e de gestão ambiental. In: VERDUM, R.; MEDEIROS, R. (Org.) Relatório de impacto ambiental: legislação, elaboração e resultados. Porto Alegre: Editora da Universidade UFRGS, 2002. p. 73-80. Disponível em: . Acesso em 31 de maio de 2016.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: . Acesso em 31 de maio de 2016.

CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA nº 1, de 23 de janeiro de 1986. Brasília, 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em 31 de maio de 2016.

ESTUDIO AMBIENTAL. Estudo de Impacto Ambiental – Plano Urbanístico Gleba A2, Campinas, SP. Campinas, 2010a.

ESTUDIO AMBIENTAL. Relatório de Impacto Ambiental – Plano Urbanístico Gleba A2, Campinas, SP. Campinas, 2010b.

RODRIGUES, J. Roteiro para apresentação de Estudo de Impacto Ambiental-EIA e Relatório de Impacto Ambiental-RIMA. In: VERDUM, R.; MEDEIROS, R. (Org.) Relatório de impacto ambiental: legislação, elaboração e resultados. Porto Alegre: Editora da Universidade UFRGS, 2002. p. 83-99. Disponível em: . Acesso em 31 de maio de 2016.

SEVÁ FILHO, A. O. Desfiguração do licenciamento ambiental de grandes investimentos (com comentário sobre as hidrelétricas projetadas no rio Xingu). In: II Encontro ANPPAS - Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade, Indaiatuba, SP, 2004. Disponível em: <http://www.ifch.unicamp.br/profseva/anppas04_textoSeva_desfigura_licen_pdf2.pdf>. Acesso em 31 de maio de 2016.

VERDUM, R.; MEDEIROS, R. (Org.) Relatório de impacto ambiental: legislação, elaboração e resultados. Porto Alegre: Editora da Universidade UFRGS, 2002.
Disponível em: . Acesso em 31 de maio de 2016.

21 de set de 2015

Poluição Atmosférica em Campinas e Paulínia

Dados consultados na reportagem de Bruno Bacchetti (2014) no Correio Popular mostram a emissão de Dióxido de Carbono nos municípios da Região Metropolitana de Campinas a partir do Anuário Estatístico de Energéticos de São Paulo (2014).

As emissões estão em 10³ t/ano e referem-se à queima de combustíveis fósseis no ano de 2013.


Abaixo reproduzo a reportagem disponível no site do Correio Popular que infelizmente não traz os dados que estão na versão impressa.

Refinaria, carros, indústrias e muita poluição na RMC

Região Metropolitana de Campinas teve crescimento da emissão de carbono em 2013 e pode ter aumento da temperatura média nos próximos anos

05/10/2014 - 05h00 - Atualizado em 04/10/2014 - 22h20 | Bruno Bacchetti

Uma das áreas mais desenvolvidas do País, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) paga o preço pelo alto grau de industrialização e elevada frota de veículos. Segundo o Anuário Estatístico de Energéticos 2013, divulgado pela Secretaria de Estado de Energia, a emissão de dióxido de carbono (CO²) derivada da queima combustíveis fósseis no ano passado foi de 6,835 milhões de toneladas, um ligeiro crescimento em comparação ao ano anterior, cuja emissão do poluente foi de 6,800 milhões de toneladas. Apesar do pequeno crescimento, a região foi na contramão do Estado, que registrou queda, passando de 86,711 milhões de toneladas em 2012 para 84,337 milhões de toneladas em 2013. O dióxido de carbono, ou gás carbônico, é o principal gás causador do efeito estufa e considerado um dos responsáveis pela elevação da temperatura do planeta.

As emissões de CO² foram calculadas com base nos coeficientes adotados pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), apresentados no Latin American Regional Workshop for Estimating National Greenhouse Gases Emissions, realizado em 1993 no Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE). Foram considerados os seguintes combustíveis: gás natural, gasolina automotiva e de aviação, óleo diesel, óleo combustível, querosene iluminante e de aviação, GLP (gás liquefeito de petróleo), coque de petróleo e asfalto. Não foram computadas a emissão de dióxido de carbono resultante de queimadas e desmatamentos. Os setores de alumínio, cimento, papel e celulose, química, cal e vidro estão entre os maiores poluentes.
 
Além do crescimento na emissão de gás carbônico, a RMC tem duas cidades entre as 10 maiores emissoras de CO² de São Paulo: Campinas e Paulínia, que ocupam a quarta e quinta colocação estadual, respectivamente. Campinas emitiu no ano passado 2,371 milhões de toneladas de CO², enquanto Paulínia totalizou 1,448 milhões de toneladas do gás poluente, a maioria emitido por empresas como Replan e Rhodia. A boa notícia é que as duas cidades tiveram redução em comparação a 2012, junto a outros quatro municípios da RMC (Artur Nogueira, Cosmópolis, Pedreira e Valinhos).

Por outro lado, a caçula da região Morungaba apresentou o menor nível de emissão de dióxido de carbono (17,6 mil toneladas), seguido por Holambra (29,4 mil toneladas), Engenheiro Coelho (34,5 toneladas) e Artur Nogueira (47,0 mil toneladas). Para o físico Ennio Peres da Silva, especialista em fontes renováveis de energia e chefe do Laboratório de Hidrogênio da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o aumento na emissão de CO² é reflexo do trânsito cada vez mais carregado da região, somado ao crescente número de carros, motos, ônibus e caminhões. A indústria petroquímica de Paulínia também contribui para a expansão. “Devido ao sistema de transporte, com importantes rodovias e o aeroporto, tem um fluxo muito grande de veículos. No mesmo período a frota também cresceu, porque a RMC tem um poder aquisitivo acima da média. A atividade industrial não está crescendo de forma muito significativa, mas Paulínia tem uma singularidade, que é a quantidade de petróleo processada lá”, analisa Silva.

O pesquisador Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Cilmáticas Aplicados à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, afirma que o aumento na emissão de gás carbônico não traz efeitos imediatos, mas em algumas décadas pode elevar a temperatura da região. Silveira explica que nos últimos 100 anos a temperatura média de Campinas já foi influenciada pela emissão de CO². “Campinas já está com a temperatura mínima média dois graus acima da média de 1890 para cá, e durante a madrugada a temperatura está quase dois graus mais elevada. Isso porque houve emissão de CO2 em excesso nesse período”, analisa. Para o pesquisador, a redução da emissão de gás carbônico na atmosfera será atingido somente a longo prazo. “Isso não vai acontecer em um ou dois anos, mas a longo prazo uma saída é utilizar combustível alternativo, passando a usar a cana de açúcar”, finaliza Pinto.

Como alternativas para reduzir os gases poluentes na atmosfera, Ennio Peres Silva aponta a necessidade de reduzir a utilização de combustíveis fósseis e ao mesmo tempo ampliar o uso de etanol e biodiesel. “Temos três estratégias. Uma é reduzir o consumo de combustível, melhorando o trânsito e tirando os veículos velhos das ruas. A segunda é trocar os combustíveis fósseis por renováveis, como etanol e biodiesel, e existe uma terceira alternativa, que é o sequestro de carbono, mas não dá para fazer nos carros, somente em fontes fixas”, sugere.
 
SAIBA MAIS

O dióxido de carbono, ou gás carbônico, é um composto químico constituído por dois átomos de oxigênio e um átomo de carbono. O excesso de dióxido de carbono que atualmente é lançado para a atmosfera resulta da queima de combustíveis fósseis principalmente pelo setor industrial e de transporte, além de queimadas e desmatamento. A concentração de CO² na atmosfera começou a aumentar no final do século XVIII, quando ocorreu a Revolução Industrial, a qual demandou a utilização de grandes quantidades de carvão mineral e petróleo como fontes de energia.
 
Derivados de petróleo são os vilões

Produtora de diversos derivados do petróleo, a Replan é uma das maiores emissoras de gases geradores de efeito estufa do Estado de São Paulo, segundo o 1º Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa realizado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que avaliou o período de 1990 a 2008. Passados seis anos do estudo pouca coisa mudou, uma vez que é necessário décadas para reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera.

“A refinaria de Paulínia tem uma termoelétrica que emite CO². Quanto maior a quantidade de petróleo processado, maior será a emissão de gás carbônico”, afirmou o físico Ennio Peres da Silva, especialista em fontes renováveis de energia e chefe do Laboratório de Hidrogênio da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Replan informou, através da assessoria de imprensa, que mantém uma Comissão Interna de Conservação de Energia que acompanha os processos de refino buscando permanentemente identificar oportunidades de otimização de eficiência energética e, consequentemente, redução da queima de combustível e emissão de CO2. Paralelamente, a refinaria mantém um plano de investimento que incorpora novas tecnologias de elevada eficiência energética. A exemplo disso, foram investidos US$ 110 milhões na instalação de um turboexpansor, equipamento que gera 15 MW de energia elétrica sem a necessidade de queima de combustível.

Referências

BACCHETTI, Bruno. Refinaria, carros, indústrias e muita poluição na RMC. Correio Popular, 5 de outrubro de 2014, pág. A3. Disponível em: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/10/capa/regiao_metropolitana/211494-refinaria-carros-industrias-e-muita-poluicao-na-rmc.html;. Acesso em 21 de setembro de 2015.

SÃO PAULO. Anuário Estatístico de Energéticos por município no Estado de São Paulo 2013. Secretaria de Energia, 2014. http://www.energia.sp.gov.br/a2sitebox/arquivos/documentos/619.pdf

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Mais sobre poluição atmosférica na Região de Campinas:

http://ribeiraodaspedras.blogspot.com.br/2013/06/reportagem-sobre-poluicao-atmosferica.html

30 de jul de 2015

Água de Campinas causa aceleração no desenvolvimento da puberdade

Pesquisa revela que Água das torneiras de Campinas causa aceleração no desenvolvimento da puberdade em ratas. É o que revelou a pesquisa realizada pela patologista Marize Solano, na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Veja reportagem publicada na Revista Pesquisa Fapesp de julho de 2015, republicada abaixo:

Da torneira ao útero

Revista Pesquisa Fapesp, Edição 233 | Julho 2015
http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/07/15/da-torneira-ao-utero/

Uma série de estudos já detectou na água potável de várias cidades, sempre em doses muito pequenas, a presença de substâncias que afetam o funcionamento hormonal, conhecidas pelos especialistas como interferentes endócrinos. São contaminantes com origem em atividades humanas e que não são eliminados de maneira satisfatória pelas estações de tratamento de água. 

Durante o doutorado no campus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a patologista Marize Solano foi além da detecção das substâncias na água. Ela analisou o efeito de amostras de água da torneira colhidas em 2010 e 2012 em Campinas, interior paulista, no desenvolvimento reprodutivo de ratas. Apesar de fracos, os efeitos apontam para uma aceleração no desenvolvimento da puberdade, principalmente no caso das amostras de 2010.

Bastaram três dias consumindo a água – onde foram detectadas substâncias como cafeína, atrazina, estrona e outras – para que os pesquisadores observassem um aumento no peso do útero e na espessura do endométrio, indicadores de resposta estrogênica. Com uma exposição mais longa, de 20 dias, as ratas apresentaram alterações hormonais, sobretudo nos níveis dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante (Endocrine Disruptors, maio). 

Os efeitos verificados são ainda sutis e registrados apenas em roedoras, mas podem ser um sinal de alerta para seres humanos – sobretudo quando se leva em conta o consumo prolongado de água tratada ao longo da vida.


© Daniel Bueno

Mais sobre Disruptores endócrinos em: 



9 de set de 2014

Unicamp poluindo o Parque Hermógenes Leitão Filho, de novo!!

Reportagem recentemente publicada por Verzignasse (2014) no Correio Popular retoma a questão da poluição das águas no Parque Ecológico "Professor Hermógenes de Freitas Leitão Filho". A principal suspeita cai sobre a sua vizinha Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e a CETESB já solicitou da Unicamp a adoção de medidas imediatas como limpeza do local, aeração dos pontos críticos e medidas para cessar lançamentos indevidos.

Há 10 anos foram feitas as primeiras denúncias sobre o lançamento de esgoto e efluentes por parte da Unicamp nos açudes do Parque (SEVÁ FILHO, 2004, 2005), e há sete anos, os locais de lançamento foram identificados no Mapa de Riscos da Bacia do Ribeirão das Pedras (DAGNINO, 2007, p. 95-96).

A seguir reproduzo alguns trechos interessantes da reportagem do Correio Popular e dos trabalhos anteriores.

Recorte do mapa de riscos de Dagnino (2007) destacando o local de lançamento de esgoto da Unicamp 
[Mapa completo em: http://goo.gl/TisZqd]


O trabalho de Dagnino (2007, p. 95-96) indica no mapa de riscos o local de lançamento do esgoto da Unicamp e cita o levantamento realizado pelo professor e frequentador do Parque, Oswaldo Sevá Filho:

"A Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, possui diversas atividades que são suspeitas de poluir o açude maior do Parque Ecológico Hermógenes Leitão. Sobre isso vale lembrar que dos três cursos d’água que alimentam este açude dois passam por dentro da Unicamp. Um córrego nasce limpo no Rancho Isa e é poluído dentro da Unicamp, o outro já nasce comprometido pelo lançamento de esgoto do Parque das Universidades, próximo da PUC Campinas."

"As palavras de Sevá Fº. (2004, p. 4) exemplificam a dimensão e a potência do esgoto gerado na Unicamp: 'O esgoto da UNICAMP é composto pelo esgoto de tipo domiciliar de uma população flutuante estimada em 25 mil pessoas, mais o esgoto de tipo hospitalar e laboratorial, vindo da área médica, mais os esgotos de dezenas de oficinas, laboratórios, posto de combustíveis e serviços da frota de veículos, atividades de fabricação em pequena escala.'"

"Sobre isto, cabe lembrar que Unicamp não possui um sistema próprio de tratamento de esgoto e que, segundo Sevá Fº. (2004), a própria Unicamp reconheceu - em reunião no dia 4 de dezembro de 2003 com representantes da Unicamp, da SANASA, da CETESB e do Centro Boldrini - a existência de duas saídas de esgoto da Universidade para o açude (uma atrás da FEF e outra atrás do Correio). Assim, ficam evidenciados os motivos que levam a Unicamp a ser eleita a inimiga número um dos ambientalistas e protetores do Parque Ecológico."

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Captura de tela de trecho do video do Correio Popular (VERZIGNASSE, 2014)


A reportagem de Verzignasse (2014) vai ao local, coleta relatos de frequentadores, da Prefeitura e CETESB e faz imagens e videos (http://youtu.be/Hjx1zpMWinA). Os principais destaques são:

+ A Prefeitura admite que a lagoa está contaminada, há notícia recente de peixes mortos e cheiro insuportável. 

+ A artista plástica Giuliana de Fiori, chegou a fotografar a imagem de dezenas de peixes mortos na lagoa, no começo da semana e menciona que peixes mortos são retirados da lagoa e enterrados.

+ A Secretaria Municipal de Serviços Públicos determinou, oficialmente, que técnicos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) vasculhem as redes coletoras do entorno, à procura de defeitos na rede ou da existência de pontos irregulares de coleta.

+ As suspeitas dos frequentadores recaem sobre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que em meados da década passada já era acusada de direcionar para a lagoa do parque público parte do esgoto do campus.

+ A reitoria informou ontem que toma providências diante das denúncias de irregularidade, e garante que vai apresentar à Cetesb, ainda neste mês, seu plano de atuação e seu relatório de acompanhamento do caso. 

+ Na manhã do dia 5 de setembro, a reportagem do Correio Popular visitou o parque e encontrou servidores despejando na lagoa a água que vinha de um caminhão-tanque, estacionado do lado de fora do parque. Segundo o responsável pelo trabalho, a medida promove a "aeração" da lagoa. "Aumentamos a oxigenação da água e salvamos os peixes" , falou, sem se identificar. Já para usuários do parque a ação serve para maquiar o problema. "O fato é que ninguém resolve a questão da emissão clandestina de esgoto. [...] Essa lagoa cheira como o Tietê, nos piores dias." fala Tata de Fiori. 

== Depoimentos de moradores e frequentadores do Parque colhidos pelo Correio Popular:

Professor Edgard Bueno Júnior, morador de Barão desde 1983, o poder público precisa descobrir, urgentemente, onde estão os pontos clandestinos de emissão de esgoto.

"É lamentável caminhar no parque e ver, aqui do meu lado, a água turva, cinzenta" , afirma Gilberto Ramos, que também leciona na rede pública, conta que a situação se torna insustentável quando não chove: "Por volta das 11h, no dia quente e seco, ninguém aguenta o cheiro da lagoa. Assim, o povo vai fugir do parque" .

== CETESB

A Cetesb - Agência Ambiental de Campinas, informou, por nota oficial, que a última vistoria técnica na lagoa, no último dia 2, constatou a presença de peixes já mortos ou moribundos, aparentemente por falta de OD (oxigênio dissolvido) nas águas. 

Foram vistoriadas todas as saídas de águas pluviais afluentes ao reservatório e realizadas coletas amostras de água para análises laboratoriais
  
De acordo com a agência, todo efluente da universidade deve ser encaminhado para a estação de tratamento de esgoto (ETE) Barão Geraldo, operada pela Sanasa.

A própria agência solicitou da Unicamp a adoção de medidas imediatas como limpeza do local, aeração dos pontos críticos e medidas para cessar lançamentos indevidos.

Referências:

DAGNINO, Ricardo de Sampaio. Riscos ambientais na bacia hidrográfica do Ribeirão das Pedras, Campinas/São Paulo. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências. Orientador: Francisco Sérgio Bernardes Ladeira. Co-Orientador: Salvador Carpi Junior. Campinas, SP : [127p.+Anexos], 2007. http://ribeiraodaspedras.blogspot.com.br/2007/12/dissertao-de-mestrado.html

SEVÁ FILHO, A. Oswaldo. O problema da poluição do açude (“lago” do Parque Ecológico, vizinho ao campus da UNICAMP) no bairro Cidade Universitária II, distrito de Barão Geraldo, Campinas, S.P. Campinas: 2004. 15 p. http://www.ifch.unicamp.br/profseva/dossie_lagoUnicamp_minuta3_jun04.pdf


SEVÁ FILHO, A. Oswaldo. Cores do palmeirinha. Semana 3. Campinas, (Jun), 2005, p.8.


VERZIGNASSE, Rogério. Esgoto clandestino mata peixes no Parque Ecológico. Correio Popular, versão website 05/09/2014. Campinas, 2014. Disponível em: <http://goo.gl/6FMv0z>. Acesso em 9 set. 2014.

16 de jun de 2014

Coleta de lixo mecanizada em Barão Geraldo

Dede o início de maio de 2014 centenas de contêineres/lixeiras de plástico verde estão sendo colocadas nas ruas e avenidas de Barão Geraldo. Elas fazem parte de um sistema adotado pela Prefeitura Municipal de Campinas (Gestão Jonas Donizette) de coleta mecanizada de resíduos sólidos orgânicos da concessionária RENOVA.

As lixeiras tem gerado controvérsia entre os moradores, uns favoráveis e outros contra, e sobretudo estranhamento: decidiram isso sem avisar ou consultar a comunidade, os moradores?. E ficam os questionamentos: A mecanização gerará desemprego? O material plástico que compõe a lixeira vai aguentar o lixiviado (chorume) que sai do lixo orgânico? E vai aguentar o sobe e desce do braço mecânico do caminhão de lixo? Os moradores vão aceitar caminhar alguns metros a mais para depositar o seu lixo?

São perguntas que serão respondidas no desenrolar do debate entre moradores, prefeitura e concessionária, aguardem...

Enquanto isso reproduzo um vídeo da Band Cidade, "Novas Lixeiras na Cidade Universitária - Barão Geraldo", e duas reportagens jornalísticas, além do panfleto distribuído pela concessionária do serviço público de coleta.

Panfleto da RENOVA

Jornal Correio Popular


Jornal Metro Campinas


Veja o vídeo

27 de fev de 2014

Tornado em Campinas: um novo risco para a Mata Santa Genebra

No dia 14 de janeiro de 2014, um tornado da categoria F0 da escala Fujita, com ventos de mais de 100 km/h (registrados pelo Centro de Pesquisas Aplicadas à Agricultura - Cepagri - da Unicamp), causou a derrubada centenas de árvores no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Na Área de Relevante Interesse Ecológico Mata de Santa Genebra, uma Unidade de Conservação federal localizada no distrito, aproximadamente 200 árvores de espécies nativas foram ao chão (BACCHETTI, 2014a, 2014b).


Recorte do mapa de riscos da Bacia do Ribeirão das Pedras com destaque para os riscos envolvendo a Mata Santa Genebra
Fonte: Dagnino (2007)

Pesquisadores e funcionários da Fundação José Pedro de Oliveira, responsável pela área protegida, trabalham na identificação de espécies afetadas pelo tornado. Devido à existência de áreas de difícil acesso, não é possível quantificar exatamente a vegetação afetada (logo depois do tornado surgiram informações de que seriam 200 árvores), mas sabe-se que entre as espécies atingidas estão o pau-jacaré, guarantã, capixingui, caixeta, canela-frade, ingá, guaritá, assa-peixe, canjarana, jequitibá-rosa e canxim (BACCHETTI, 2014a, 2014b).

Sem dúvida, esse tornado corresponde a um risco que nunca havia sido registrado na Mata Santa Genebra, embora saiba-se da existência de tornados em Campinas (CANDIDO, 2012). Porém, até agora, os riscos documentados e mais comuns na região da mata e nos palimpsestos e remanescentes vegetais nas proximidades não tratavam de eventos climáticos extremos como esse. Eram relacionados à retirada e queimada de vegetação na mata, ao aterramento de nascentes de água dentro da área e ao lançamento de esgoto proveniente de residências localizadas no entorno (SERRÃO, 2002; DAGNINO, 2007).

Árvores tombadas na Mata Santa Genebra após a passagem do Tornado
Fonte: BACCHETTI (2014b)
Crédito: Carlos Sousa Ramos/AAN



Referências

BACCHETTI, Bruno. Equipe estuda riscos na santa genebra. Correio Popular, Cidades, A11, Campinas, 22 de fevereiro de 2014.

BACCHETTI, Bruno. Pesquisadores buscam novas áreas atingidas por tornado. Correio Popular, On-line, 20/02/2014. Disponível em: <http://goo.gl/pPc8tD>. Acesso em 26 de fevereiro de 2014.

CANDIDO, D. Tornados e trombas d'água no Brasil: modelo de risco e proposta de escala de avaliação de danos. Tese (doutorado em Geografia) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências. Orientadora: Lucí Hidalgo Nunes. Disponível em: <http://goo.gl/YJXnAs>. Acesso em 26 de fevereiro de 2014.

DAGNINO, Ricardo de Sampaio. Riscos ambientais na bacia hidrográfica do Ribeirão das Pedras, Campinas/São Paulo. Co-Orientador: Salvador Carpi Junior. Campinas, SP : [127p.+Anexos], 2007. Disponível em: <http://goo.gl/MjwNC>. Acesso em 26 de fevereiro de 2014.

SERRÃO, Silvia. Para além dos domínios da mata, uma discussão sobre o processo de preservação da Reserva da Mata Santa Genebra, Campinas/SP. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas – Faculdade de Educação. Campinas: 2002. Orient.: Hilário Fracalanza; Co-orient.: Antonio Carlos Rodrigues de Amorim.

Links relacionados

15 de out de 2013

Deu no Correio Popular: Enchente preocupa morador de Barão Geraldo

Enchente preocupa morador de Barão Geraldo

Correio Popular (Campinas) - Caderno Cidades - A16

12/10/2013 - Inaê Miranda

Moradores e comerciantes do distrito de Barão Geraldo, em Campinas, se organizam para cobrar uma solução para as constantes enchentes na região da Estrada da Rhodia, na altura das ruas Maria Tereza Dias da Silva e Dr. Heitor Nascimento. Eles colhem assinaturas e preparam o documento para entregar ao subprefeito Valdir Terrazan, solicitando a implementação de obras que permitam o escoamento das águas do Ribeirão das Pedras.

Eles também cobram ações da concessionária Rota das Bandeiras, que vai assumir a conservação de três estradas vicinais dentro de Campinas, entre elas a Estrada da Rhodia. A concessionária aguarda assinatura da Prefeitura para firmar o convênio.

As inundações já são um problema histórico e assola não apenas os moradores, como os motoristas que precisam passar pela estrada, por onde flui todo o trânsito do distrito. “O ribeirão transborda e fica irreconhecível no período de cheias e algumas casas são inundadas”, afirmou Eduardo Pinheiro-Bazém, que é morador da Rua Heitor Nascimento e diretor de comunicação da Associação Ambientalista Mata do Quilombo. Ele diz que as galerias estão obstruídas, apesar do esforço dos moradores, que procuram manter as margens do córrego sempre limpas. “Vem resíduo desde a nascente e tem pessoas que trazem de longe e jogam aqui”.

Algumas galerias do ribeirão foram obstruídas com madeiras e uma delas com a estrutura de uma caçamba. “Entendemos que estamos sujeitos às intempéries, mas aqui qualquer chuvinha inunda as ruas. Já tivemos carros levados pela água, pessoas que quase se afogaram”, disse. Preocupados com as chuvas de verão, os moradores iniciaram o abaixo-assinado. “Algumas folhas foram distribuídas pela comunidade, comércio e condomínios do distrito, na região mais afetada pelas inundações. Só estamos esperando ganhar corpo para entregar ao subprefeito”, afirmou Bazém.

Morador da Rua Maria Tereza há 23 anos, Alcides Carrasco Cantareiro fez uma verdadeira fortaleza em sua casa depois de ter prejuízos com inundações. “No começo não sabia do problema e perdi móveis. Depois fui adaptando a casa.” Por causa das inundações, ele mudou a entrada da garagem e elevou os acesso ao imóvel em quase meio metro. “Venho lutando com isso há 23 anos. Entra e sai político e ninguém faz nada”, contou Cantareiro, que já ajudou a socorrer uma motorista presa em alagamento.

“Meu irmão mora quatro ruas acima e é obrigado a mudar o caminho porque a Estrada da Rhodia fica intransitável”, afirmou a veterinária Anna Graciela Oliveira Santos.

Fernanda Jaubult, proprietária de uma loja de artigo para pets disse que já teve a loja inundada. “Pelo menos uma vez por ano a gente tem dor de cabeça com enchente aqui. A rua inteira alaga quando chove e a gente é obrigado a tirar as mercadorias para não ter prejuízos. Quando chove forte na região do bairro Santa Genebra é certeza de que aqui vai inundar”, afirmou. O Ribeirão das Pedras nasce no Alto Taquaral, passa pelo Jardim Santa Genebra, por baixo da Rodovia D. Pedro I e chega ao distrito.

Obras

O subprefeito de Barão Geraldo Valdir Terrazan disse que são necessários a abertura do canal e o aumento do número de aduelas e que já encaminhou o pedido de elaboração de projeto e de licença ambiental à Secretaria de Infraestrutura. “É um trecho bastante complicado do ponto de vista de operação de trânsito, mas a maior questão é ambiental”, disse.

A Secretaria de Infraestrutura, por sua vez, diz que há estudos, mas não projetos definidos. De acordo com a pasta, serão necessárias obras de macrodrenagens, que são caras e que, com o orçamento em mãos, a Prefeitura deverá buscar recursos junto a outros governos, à iniciativa privada, ou firmar convênios.

Fonte: Correio Popular

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